quinta-feira, 3 de setembro de 2009

ESCOLHAS DE VIDA

Antes de você começar a ler, já vou avisando que esse post vai ser longo... Rsrsrs

Nos últimos dias eu pensei nesse texto que escrevi no Carnaval de 2005 ou 2006 e mandei pra alguns amigos. Tô reproduzindo cortando alguns pedaços pra coisa não ficar ainda mais longa, e depois eu conto por que lembrei dele.

(Ah, só uma coisa: essa expressão “maionese”, que aparece várias vezes, a gente usa entre amigos, e significa o mesmo que “pão com ovo”, “cafona”, “excessivamente desglamourizado”, você sabe...)

Então lá vai:


MESTRE CIRILO

Eu tentei.
Nesta sexta-feira de carnaval eu tentei acompanhar a manifestação popular mais cheia de maionese do planeta.

Superei o fato de o Chico Pinheiro insistir que a tal escola que homenageava o México devia ser convidada pelo governo mexicano pra ir desfilar lá no país.

Superei a insistência dele na idéia de que se as crianças do mundo conhecessem o verdadeiro carnaval brasileiro, “aquele ratinho (também conhecido como Mickey Mouse) ia ficar desempregado”.

Superei as explicações do tipo “com esta fantasia com pluma roxa e chapéu lilás o carnavalesco simboliza a busca incessante do homem pela harmonia com a Galáxia de Andrômeda”, ou “com este carro alegórico que corre água e faz piuí, o carnavalesco quer passar a confiança dos búlgaros na paz no Afeganistão”.

Mas aí veio a Vai-Vai.

Levantando a avenida, como eles dizem, embora todo mundo saiba que aquela porra de sambódromo não é uma avenida. A Marginal Tietê, onde ele fica, sim, é uma avenida, mas a “passarela do samba”, o duto da maionese, não é uma avenida. Está ocupando um espaço que poderia ser transformado em avenida, diminuindo o trânsito e servindo pra alguma coisa útil, mas não é uma avenida. E a não ser que as pessoas que passavam pela Marginal naquele momento tivessem ficado de pé, me pareceu estúpido ouvir que a Vai-Vai levantou a avenida. Mas tudo bem, eu superei isso também.

Só que então a câmera mostrou a bateria. Maioneeeese. Todo mundo feliz. E a câmera correndo entre os instrumentos. Elogios para o ritmo. Elogios para a fantasia. Elogios para a competência. E surge um ser na tela, muito, muito feliz. E então a Lecy Brandão (quem mais?) me solta a pérola:

- Mestre Cirilo!!! (assim, como se fosse uma acusação. Mas não era uma acusação. Era a introdução de uma biografia única na cultura maionésica. Porque Mestre Cirilo tem uma emocionante história de vida. Mestre Cirilo é brasileiro e não desiste nunca. E sabem como eu sei? Porque a Lecy, cheia de admiração, completou a apresentação)

- ... 30 anos dedicados ao tamborim!!!

FILHO DA PUTA!!!!!!!!

O cidadão dedicou 30 anos da vida dele ao tamborim!!!! Podia ter feito alguma coisa útil pra humanidade, podia ter construído um puxadinho, ter ajudado a mãe a arrumar a cama, ter olhado o filho de alguém, ter doado sangue, ter varrido a rua, ter criado uma ONG, sei lá, mas Mestre (???!!!) Cirilo preferiu dedicar 30 anos ao estafante domínio do tamborim.

Isso significa que antes de eu completar 3 anos Mestre Cirilo já estava enfurnado em sua residência dedicando-se ao seu objetivo de vida. Não pediu Diretas Já, porque estava aperfeiçoando seu breque. Não viu o Collor cair, porque estava estudando um novo repique. Não ligou pro onze de setembro, porque estava buscando a tensão perfeita do couro.

Deve tocar tamborim pra cacete, o Mestre Cirilo (eu não sei, porque eu desliguei a TV). Mas, mesmo assim, eu quero que ele e a Lecy Brandão vão pro inferno.


Bom, o texto era esse. E eu andei lembrando dele por causa do Luca Badoer, esse piloto italiano que tá substituindo o Massa na Ferrari.

Luca Badoer é o piloto de testes da equipe há 10 anos, mas como nessa temporada os testes foram proibidos, ele é um piloto de testes que não testa. Deve compensar buscando Coca-Cola pra galera, fazendo uns sandubas pros mecânicos, ou então coçando as costas de quem tá de luva. Mas o que importa é que são 10 anos esperando uma chance. Esperando, e esperando, e esperando...

E então, bum!

O Massa cabeceia uma peça do carro do Rubinho, o Schumacher diz que vai, mas num vai, e a chance aparece. E aí o cara vai lá, senta no carro, acelera tudo que pode e, caraca, larga em último e chega em último! De Ferrari, porra!

Mas tudo bem, vamu lá, tô só esquentando, na próxima eu ganho, agora vai, lá vou eu e... vem a segunda corrida e o cara larga em último e chega em último de novo.

Fiquei imaginando o que deve tá passando na cabeça desse cara. Tipo, dedicar 10 anos a um sonho e, na hora de realizá-lo, ver as coisas acontecerem do pior jeito possível. E por duas vezes, que é pro cara não poder nem culpar o azar! Que merda, imagina?

Por isso, tenho quase certeza de que o Luca Badoer deve estar se perguntando se não devia ter investido esses últimos 10 anos em outra carreira. Hoje, talvez faltassem só mais 20 pra ele detonar no tamborim...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

MELHOR QUE RECLAMAR DA PIZZA É FECHAR A PIZZARIA

Eu sempre dei risada desse papo absurdo de se fechar a Câmara ou o Senado. Sempre levei isso como coisa de ditador tirano filho da puta. Mas diante do que tá acontecendo ultimamente, eu não vejo solução mais prática, econômica e democrática pra tentar resgatar um pouco da dignidade da gente. Não seria um ato de tirania, seria um lance democrático, partiria do povo. A gente simplesmente não quer mais. É isso, fecha essa merda.

Assim, pelo menos, a gente não passa raiva. Não se sente tão idiota. E depois, se o Congresso fechar não vai fazer falta nenhuma mesmo.

Primeiro porque a separação dos poderes só funciona se os poderes forem realmente separados. E quem disse isso não fui eu, foi o Montesquieu. Mas quando a função do Legislativo passa a ser unicamente a de dizer amém pra todas as vontades do Executivo, a gente pode simplesmente abrir mão de ficar bancando essa estrutura monstruosa que alimenta esse bando de filho da puta.

E o que aconteceria, então, com o Legislativo fechado? Será que não viraria tudo um caos? A resposta, e pra mim isso tá cada vez mais claro, é não.

O Brasil já vive sem Legislativo há muito tempo, a gente é que ainda não se deu conta. Ou você acha que alguém ali legisla? Então pronto, não precisa mais fingir que os caras vão fazer votação de projeto, vão debater assuntos de interesse nacional, deixa isso pra lá. Não precisa mais montar Conselho de Ética. Não precisa mais entrevistar a Ideli Salvatti. A gente não faz mais questão. Pode fechar, vai todo mundo pra casa, depois a gente vê o que faz com a mobília dos gabinetes.

Também não adianta esse papinho de analista político de que “cabe a nós promover uma limpeza na próxima eleição”. Porra nenhuma, não cabe a "nós" porra nenhuma. Porque entre "nós" sempre vai ter um filho da puta pra botar os caras lá de volta. Pode cassar o mandato do Renan Calheiros, ele sempre vai ter alguém pra reelegê-lo em Alagoas. E se não for em Alagoas, vai ser em outro lugar. Aliás, tá provado que num país onde tanta gente só pensa em se arrumar, em levar vantagem, em ganhar unzinho por fora, o único povo que presta, que se preocupa de verdade com o próximo, é o do Amapá, que elege o Sarney em todas as eleições pra que ele possa defender os interesses dele e dos amigos dele lá do Maranhão.

Pra acabar, só queria registrar que pra mim, mais nojento do que o vilão assumido é o vilão covarde, traidor, ingrato, infiel. Fernando Collor, Renan Calheiros, José Sarney e até as estrelas de escândalos anteriores, como Severino Cavalcanti e Roberto Jefferson, pelo menos têm a dignidade de fincar o pé nas suas posições. Podem não ter um pingo de ética, mas pelo menos não tentam fingir que têm. Isso é mais digno, por exemplo, do que um presidente que assume a defesa do indefensável, exigindo até tratamento diferenciado pro Sarney, e quando coisa fica feia, tira o dele da reta e diz que o assunto é exclusivo do Senado. É mais digno do que esse Mercadante, pseudo símbolo da ética com esse teatrinho eterno de fingir indignação, dar chilique, fazer beicinho, e que sempre, sempre afina no fim, colocando o rabinho entre as pernas e recuando quando o Grande Pai do partido chama ele no cantinho. E é mais digno também que esse bando de bunda mole do PSDB, partido com o qual eu sempre me identifiquei, mas que também já deu no saco. Todos esses dissimulados, enfim, gostam de pensar que são melhores, mais honestos e mais dignos que Collor, Calheiros, Sarney, Cavalcanti ou Jefferson, mas no fundo cheiram igualzinho.

É por tudo isso que eu digo: fecha de uma vez por todas essa merda. E fecha logo, antes que o Luxemburgo se eleja por Tocantins.

domingo, 26 de julho de 2009

PENSAMENTO EDIFICANTE DO DIA

Pergunta:
Por que o Bill Murray?

Resposta:
Oras, porque alguém Kill Bill...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

NADO A VER

Caraca, acabei de ver na TV que uma nadadora foi a primeira brasileira a se classificar pra final da competição de Nado Sincronizado solo, no Mundial de Natação de Roma.

Hãn?

Nado Sincronizado SOLO?

Tipo, e ela sincroniza os movimentos dela com quem? Com o fantasma do espírito olímpico?

De qualquer forma, devo confessar que a notícia me abriu um novo horizonte. A partir de agora eu vou treinar duro todo dia. E vou ser o primeiro tenista brasileiro na final do torneio de duplas solo de Roland Garros.

FILME B

Então, eu tenho uma ideia pra um filme de ficção que seria assim, ó: um grupo de cientistas consegue construir uma máquina do tempo e volta até 1989 pra raptar o Lula.

Aí eles voltam pra 2009, enfiam o Lula de 89 numa sala e começam a contar tudo que aconteceu nos últimos anos, mas sem citar o nome do atual presidente.

O papo vai desde o mensalão até a humilhação de ter arregado pra Bolívia naquela história da Petrobras, passando pelo chapéu que ele tomou da China, pelo casamento com o Renan Calheiros, o amor pelo Collor e, ah, sei lá, depois a gente vê a lista toda, porque ela é grande. O que importa pro filme é que, pra completar, eles falam também da orgia que tá sendo essa defesa do Sarney, incluindo a história de que o Sarney não pode ser tratado como uma pessoa comum, e bla, bla, bla...

Finalmente, depois de contar tudo isso, eles colocam um revolver em cima da mesa, e dizem que só um líder da grandeza do Lula de 89 poderia ser capaz de livrar o Brasil de um presidente tão nocivo (o Lula de 89 já acreditava em qualquer elogio que ouvia...).

O plano era colocar o Lula de 89 numa coletiva que o presidente atual concederia, e aí o Lula de 89 faria o serviço. Pra ter certeza de que o Lula de 89 tinha entendido a gravidade da questão, um dos cientistas diz:

- Este plano precisa permanecer secreto. O senhor entende o que isso quer dizer, não é?

E o Lula de 89 responde:

- Claro que eu entendo! Significa que quanto menas gente souber, melhor.

Corta pro Lula de 89 entrando na coletiva. O atual presidente está numa mesona, usando algum boné que lhe ofereceram ali na hora. Pode ser de uma marca de creolina, mostarda ou pomada pra frieira, depois a gente vê isso com o pessoal do merchandising. Os fotógrafos fazem um verdadeiro muro, dificultando a visão do Lula de 89, mas finalmente ele consegue chegar na frente da mesa do atual presidente. Só que quando ele se prepara pra atirar, seu rosto se transforma.

Não era possível!!! Aquele homem era... era...

- Nããããããooooo!!!!!

Seguindo sua tradição de não cumprir promessas, o Lula de 89 desiste de matar o atual presidente, e resolve atirar na sua própria cabeça!

Caos! Confusão! Gritos!

Seguranças voam pela sala defendendo o atual presidente, e usando a primeira-dama como escudo pra proteger o Sarney. Os cientistas conspiradores observam boquiabertos, até que um deles se anima e diz:

- Esperem! No final o resultado é o mesmo! Se o Lula de 89 se matou, tudo que veio depois dele deixa de existir!

Os cientistas conspiradores então sorriem! Caraca, o plano tinha saído melhor que a encomenda!!!

Mas então o atual presidente sai debaixo da montanha de seguranças e tira o pó do terno e do boné. O chefe da segurança se aproxima e informa:

- O salão já está sob controle, senhor presidente. Iniciaremos as investigações imediatamente! O senhor tem alguma ideia do que possa ter acontecido?

E o presidente atual olha pro cadáver do Lula de 89 e responde, em close:

- Não. Eu não tenho a menor ideia de quem era este homem...

domingo, 12 de julho de 2009

NÃO FOI SÓ O TOM JOBIM QUE FEZ MÚSICA PRA LUÍZA

Numa mesma fase da carreira o Roberto Carlos compôs, não necessariamente nessa ordem, uma música pra mulher baixinha, uma música pra mulher gordinha, uma música pra mulher de óculos e uma música pra mulher com mais de 40.

E mesmo com todas essas evidências, as pessoas continuam duvidando da minha tese de que o cara era gamadão na Erundina...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

ELVIS NÃO MORREU, MAS O GENRO DELE, SIM

O assunto já tá velho, mas eu ainda gostaria de comentar a morte do Michael Jackson (ou do Máicol, como sensacionalmente diz a Méliss).

Adorava o cara quando eu era pequeno, era disparado o meu artista preferido. Mas fui perdendo o respeito à medida que eu me tornava adulto, e ele, não.

Pra mim foi um puta gênio, que obviamente nunca soube lidar com isso. Mas acho que a morte dele acabou sendo apenas protocolar, porque, como artista e ser humano, ele já vinha se suicidando há tempos (o problema com as pessoas públicas é que elas conseguem se suicidar bem mais de uma vez).

Cada aparição nesses últimos anos me parecia um ato desesperado de recuperar o respeito perdido, mas tudo que ele conseguia era diminuir ainda mais a reserva de respeito que a gente tentava manter em nome dos velhos tempos.

E outro dia, vendo uma das tantas reportagens que mostravam o Michael fazendo o bom e velho Moonwalk, eu pensei: não deixa de ser simbólico que o passo que marcou o auge da sua carreira seja justamente aquele em que ele mostra, como ninguém, a capacidade que tinha de andar pra trás.