Mostrando postagens com marcador Eu Sou Muito Burro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eu Sou Muito Burro. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 8 de abril de 2010

E VOCÊ AINDA LÊ ESSE BLOG...

Aproveitando a era de confissões inaugurada com Ricky Martin, eu também tenho um segredo pra dividir com vocês.

Durante a minha infância eu muitas vezes punha 7 quando tirava par ou ímpar. Mesmo depois que eu descobri que qualquer número acima de 2 nesse jogo só serve pra gente desperdiçar energia, eu achava que colocar um número que necessitasse de duas mãos dava, sei lá, uma vantagem meio que psicológica no confronto.

Pronto, contei.




quinta-feira, 5 de março de 2009

VIDA NOVA

Chegou uma hora em que eu cansei de ser publicitário. Sabe por quê? É muito chato fazer parte de uma classe profissional que todo mundo odeia. Que todo mundo olha feio. É triste ouvir que as pessoas que fazem o que eu faço só querem enganar as outras pra ficar com o dinheiro delas. Sem falar que em todas as piadas o publicitário é sempre o desonesto da história, o enrolador, o filho da puta. É o cara que não tem ética, só pensa nele, blá, blá, blá... Por isso, um belo dia, eu resolvi procurar uma nova profissão.

Agora faltam só 3 anos pra eu me tornar advogado... :o))

terça-feira, 3 de março de 2009

TRAGÉDIA GREGA

O ano era 1988, eu tava no primeiro colegial. Todo mundo ali, reunido na porta da sala de aula esperando a professora chegar. Aí aparece aquela cabecinha lá longe, começando a descer na nossa direção. Foi a senha pra galera resmungar:

- Pãããtsa, ela já tá vindo...

- Já? Pãããtsa...

- Pãããtsa... (pois é, a gente gostava meeesmo daquelas aulas de Filosofia...)

Mas o que interessa é que aí alguém vira e pergunta:

- Cês leram o texto pra prova?

- Li.

- Eu li.

- Pãããtsa, eu li.

- Texto? Que texto?

Esse último, claro, era eu. E não é que eu tinha esquecido de ler o texto. Eu não sabia era que havia um texto que tinha que ser lido. Muito menos que sobre esse texto haveria uma prova. E foi aí que uma das maiores demonstrações de coleguismo da história se transformou numa das maiores merdas da minha vida escolar.

Nesse momento a professora ainda não havia chegado na metade do caminho, até porque velocidade não era muito o forte dela. Era daquele tipo que falava baixinho, zen pra cacete, sempre de bata, cabelão encaracolado. Dava aula sentada em cima da mesa, balançando as sandalinhas. Resumindo, ela misturava a aparência da Janis Joplin com a animação do Charlie Brown. Deu pra imaginar, mais ou menos?

Pois bem, enquanto ela chegava, meus fiéis e queridos amigos iniciaram uma tentativa desesperada de me contar o que fosse possível a respeito do tal texto. Pelo menos pra eu não zerar na prova. Todo mundo falava ao mesmo tempo, cada um acrescentando uma parte da história, e eu ouvia tudo aquilo de olho nos passinhos da mulher que se aproximava. O que se seguiu foi mais ou menos assim:

(Rafa) – Bom, o texto era sobre Antígona.

(Eu) - Antígona?

(Pedro) - Isso. É do Sócrates. Não, do Sófocles.

(Eu) – Sócrates ou Sófocles?

(Pedro) - Sófocles, Sófocles...

(Eu) – Tá.

(Rogero) – Antígona era uma mulher que vivia na Grécia.

(Eu) – Beleza.

(Marcio) – É, era uma puta lá...

(Eu) – Tá.

(Fábio B) – Ela era irmã de Ismene.

(Eu) – De quem?

(Fábio B) – Is-me-ne.

(Eu) – Ah, tá, Ismene, beleza...

(Chris) – Coloca que ela se revoltou contra a tirania.

(Noro) – Isso, que ela enfrentou Creonte!

(Eu) – Tá, Ismene, tirania, Creonte... Beleza, o resto eu enrolo. Valeu, galera!

Sem brincadeira, fiquei até comovido com aquela demonstração de parceria! Todo mundo unido pra me tirar do sufoco. Mas percebam, aquele era um momento de aflição. Eu tava absorvendo qualquer informação que me dessem. QUALQUER informação...

Corta pra semana seguinte, dentro da sala de aula. A professora, sentadinha em cima da mesa, distribui as provas, chamando o aluno e dizendo a nota dele pra todo mundo. De repente, vem a bomba:

- Eduardo... (sim, meu nome é Eduardo). Zero.

Mas ela não falou “zero” com pena. Ela falou “zero” com raiva. Com ódio. Rancorzão, mesmo. E enquanto eu me levantava pra ir buscar minha prova com cara de bunda, ela olhou pra mim e disse:

- Eu só queria descobrir de onde você tirou que Antígona era uma prostituta...

Naquele momento os olhos daquela mulher diziam que ela me odiava. Eu olhei pro Marcio, que afinal era a fonte daquela informação, mas ele só fechou os olhos, deu um tapa na testa e resmungou “puta, Duda, você é burro pra caralho...”

Resolvi contar essa história gigante no meu primeiro post porque ela ressurgiu nesse final de semana, na quarta ou quinta comemoração do meu aniversário, justamente no jantar em que alguns amigos me incentivaram a criar esse blog. Estavam lá o Fábio G, a Paty, o Paulão, a Silvia... e o Marcio, que só de sacanagem me deu uma edição de bolso da Antígona. Finalmente, 21 anos depois, eu vou descobrir o que essa mulher fazia da vida! Mas se ela beijar alguém nessa história, ou der uma piscadinha que seja, eu vou lá no meu colégio pra pedir revisão de nota...