sexta-feira, 9 de março de 2012

MORANDO EM FORTALEZA


E depois de mudar radicalmente de vida, a gente mudou também de estado. Estamos morando em Fortaleza desde janeiro, e vamos ficar por aqui até o final de novembro. A saudade da família é gigante, mas a cidade é gostosa e a gente tá se adaptando muito bem. Quem mais tá curtindo é a Letícia, que não usa meia desde que a gente chegou. E no calçadão da praia, quando a brisa bate no rostinho dela, ela sorri pra todo mundo, feliz da vida.


A cidade tem problemas como toda metrópole, afinal são 4,5 milhões de habitantes. Mas comparando com a vida que a gente leva em São Paulo, chega a ser engraçado ouvir o povo daqui reclamando. Eles acham, por exemplo, que o trânsito está ficando insuportável. Só que num dia ruim, aqui, eu levo 12 minutos para chegar ao trabalho. Em São Paulo, nos dias ruins, eu levava duas horas e vinte.


Outra coisa que eles comentam arregalando os olhos é o aumento da violência. Outro dia, por sinal, um jovem morreu ao ser abordado na saída do banco. No dia seguinte, a notícia ganhou toda a metade de cima da primeira página do jornal. Um casal atrás de mim na padaria comentou o caso, escandalizado. Na hora do almoço, na fila do banco, três caras também comentaram, indignados. E apesar de isso ser mesmo uma tragédia, eu pensei: "que bom que eles ainda se indignam com um assassinato em saída de banco", porque, infelizmente, eu não via mais ninguém comentar sobre isso em São Paulo. Sei lá, acho que pra nós, paulistanos, isso infelizmente já virou rotina.


Além disso, o ritmo de tudo é bem diferente. Eu entro no trabalho às 10, almoço todo dia em casa e, nos dias mais tranquilos, já cheguei a ser dispensado às 4 e meia da tarde. E como eu tranquei a faculdade, posso passar as noites com a The e a Lelê, o que também me fazia muita falta.


Enfim, tá sendo uma experiência muito legal, cheia de coisas boas e com alguns perrengues. Mas agora que o blog voltou, isso é assunto pra outros posts...

A CHEGADA EM CASA

Não é fácil. A verdade é que depois de 9 meses de gestação o bebê está pronto, mas o pai e a mãe, não.


Nos 3 dias em que está na Maternidade você sabe que, se precisar de alguém, é só abrir a porta e chamar uma enfermeira que vai entrar imediatamente e apertar algum botão escondido que vai fazer sua nenê parar de chorar. Mas quando você chega em casa a situação muda, a nenê chora e, por mais que tente, você não acha o botão. Nessa fase qualquer choro assusta, mas logo a gente aprende que a nenê não vai se dissolver porque tá chorando. E depois que a gente entende isso dá um alívio danado.


VÔS E VÓS

Esse lado é demais! Ver meu pai e meus sogros brincando com ela é outra sensação que eu também não sei descrever. Tô adorando ter filha, mas caraca, ter neta deve ser muito louco!


Sinto demais não ter dado tempo de a Lelê ter conhecido minha mãe, pelo menos pessoalmente. Mas é muito comum ela rir sozinha, olhando pro teto e fazendo aqueles barulhinhos que criança faz que parece que tá conversando. Gosto de pensar que a véia tá ali, aparecendo só pra netinha, e fazendo alguma palhaçada pra arrancar um sorriso dela.


A PRIMEIRA MAMADA

Putz, a primeira mamada é foda.


No momento em que começou a mamar a Letícia olhou pra The de um jeito que, na hora, eu pensei: ok, vou ter que me esforçar pra ser a segunda pessoa preferida da vida dela, porque o primeiro lugar ninguém tira da The. Rsrsrs…

Mas falando sério, essa é outra coisa que não dá pra descrever. O jeito que a nenê olha pra mãe na primeira mamada é talvez o maior exemplo de como dizer tudo que a gente pensa usando apenas o olhar.


A LETÍCIA NASCEU!!! :o))

Pois é, Letícia Blota Camargo nasceu.


Chegou toda bonitinha no dia 13 de julho de 2011, e já tomou conta da vida da gente. Acompanhei a cesárea do lado da The, e o arrepio que me deu na hora em que o doutor Roberto puxou a Lelê de dentro da barriga é impossível de descrever.


A perninha dela ainda nem tinha acabado de sair de dentro da barriga e ela já tava chorando, como quem diz:


- "Num vem dar palmada não, véio, eu já tô respirando, já tô respirando!"


Aí as enfermeiras levaram ela pra uma mesinha e, assim que eu cheguei perto, vi que a mulher tava enfiando um caninho no nariz dela. Pelo que eu entendi, o tal caninho deve ir até o pulmão, pro caso de ela engolir algum líquido, mas pô, que aflitivo aquilo!


Isso me fez pensar: pô, é punk nascer, né? Cê tá lá, no quentinho, no escurinho, de repente um cara te puxa pra fora pelada no frio de julho e em menos de 12 segundos de vida alguém já enfiou um cano no seu nariz que vai até o pulmão. Sei lá, acho que o intuito disso é avisar que a vida é dura mesmo, que as coisas não são fáceis e etc e tal.


ONDE EU TAVA MESMO?

Caraaaaca, há quanto tempo eu não escrevia aqui no blog! E de lá pra cá aconteceram grandes mudanças.


Vou dividir tudo que eu tenho pra contar em vários posts, senão o texto vai ficar gigante.


Então lá vai:


segunda-feira, 25 de abril de 2011

BODAS NA FAMÍLIA IRREAL

Já reparou que existe uma palavra da língua portuguesa cujo uso hoje é restrito às capas dessas revistas tipo Caras, Quem ou Sei Lá Quem?

“Bodas”.

Pensa bem, você conhece alguém que fala “bodas”?

- Ah, num vou poder ir no seu churras porque nesse dia eu tenho umas bodas pra ir...

A explicação, lógico, é que “casamento” é uma palavra grande demais pra caber na capa da revista, mas sei lá, então bota “casório”. Ou “a união”.

Ou “o sim”.

Lembrei disso porque agora tá todo mundo falando do casamento desse vagabundo desse príncipe William. E como se não bastasse toda a movimentação em torno desse circo, hoje eu ouvi no rádio que o sem vergonha pediu 2 anos de férias após o casamento.

Aí eu pergunto: oi?

Férias do quê, véio? Tá cansado, já? Ralou muito, foi?

Porra, eu não entendo a existência dessa gente! Outro dia eu vi uma reportagem que falou que quando o Pelé fez o primeiro gol numa Copa, a vó desse cidadão já era rainha. Pô, isso foi em 1958! São pelo menos 53 anos que essa mulher é sustentada, junto com a família e outro monte de conde, duque e arquiduque, para não fazer nada, a não ser fingir que é mais que os outros. 53 anos sem produzir nada de útil! Sem lavar um copo! Sem fritar um ovo!!!

Aí, no dia em que essa mulher morrer (e vai demorar, porque ela tem ótimos médicos e todo o tempo do mundo pra cuidar da saúde), o trono será ocupado pelo cara que quer ser um OB. E não é um OB qualquer, de todos os OBs do mundo, ele quer ser o OB da Camila Parker Bowles!

Depois dele vem a vez do vagabundo que precisa de 2 anos de férias, mas se ele estiver muito cansado e achar que ser rei dá muito trabalho, ele pode abdicar em favor do irmão bêbado simpatizante do nazismo.

Como a gente pode ver, se essa fosse realmente a família dos seres superiores, dos mais especiais, o Reino Unido estaria bem fudido.

E pra completar, ainda tem essa história do teste de virgindade que a tal da Kate teria que fazer. Pelo que eu ouvi dizer, a família real vai abrir mão do teste porque “seria constrangedor constatar que ela não é mais virgem”. Mas do jeito que esse moleque é preguiçoso, eu acho que o medo deles é descobrir que ela ainda é.